Como a bioengenharia médica pode transformar o tratamento de cardiopatias graves em bebês?

O pesquisador Paulo Duarte desenvolveu uma metodologia capaz de reduzir três cirurgias de alto risco por apenas uma. O estudo ganhou o Grande Prêmio da Brazil Conference 2026 e será apresentado nas universidades de Harvard e MIT, nos EUA

MEDICINA

Mayhara Nogueira

3/11/20262 min read

Em 2015, ainda durante a gestação, o filho do engenheiro e pesquisador Paulo Duarte foi diagnosticado com Síndrome do Coração Esquerdo Hipoplásico, uma das malformações cardíacas mais graves da infância. O diagnóstico marcou o início de uma nova trajetória profissional e pessoal.

O que é a Síndrome do Coração Esquerdo Hipoplásico?

A condição é uma cardiopatia congênita complexa que compromete o desenvolvimento do lado esquerdo do coração, exigindo intervenções cirúrgicas delicadas logo no primeiro ano de vida.

No Brasil, estima-se que cerca de 30 mil crianças nasçam anualmente com algum tipo de cardiopatia congênita, e aproximadamente 12 mil precisem passar por cirurgia cardíaca infantil (Ministério da Saúde, 2025).

O desafio é médico, tecnológico e estrutural.

Quando a engenharia encontra a medicina

Diante do tratamento do filho, o pesquisador fez uma pergunta decisiva: e se a engenharia pudesse colaborar diretamente com a medicina e ajudar criançar com a mesma condição?

A partir dessa inquietação, direcionou sua carreira para a bioengenharia médica, desenvolvendo pesquisas em modelagem computacional aplicada ao sistema cardiovascular, desenvolvimento de dispositivos médicos e inovação cirúrgica para cardiopatias congênitas

O objetivo é democratizar os procedimentos e também os tornar mais seguros, eficientes e acessíveis, reduzindo a complexidade das cirurgias e ampliando o acesso ao tratamento.

Inovação em saúde com impacto social

A pesquisa de Paulo Duarte recebeu reconhecimento nacional e internacional. Ele é vencedor do Grande Prêmio da Brazil Conference 2026, principal fórum internacional dedicado à valorização da ciência produzida no Brasil, realizado nas universidades Harvard e Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos.

Também recebeu menção honrosa no Prêmio Capes de Tese (2024) e conquistou o primeiro lugar no Prêmio Paranaense de Ciência e Tecnologia (2024).

No episódio do Entrópicos Podcast, conversamos sobre cardiopatia congênita, bioengenharia médica, inovação em saúde e o papel da ciência brasileira no desenvolvimento de soluções médicas de alta complexidade.

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